Rudêncio Morais assume liderança da ENH numa fase decisiva para o futuro energético de Moçambique
O Conselho de Ministros aprovou, esta quarta-feira (6), durante a sua 12.ª Sessão Ordinária realizada em Maputo, a exoneração de Ludovina Bernardo do cargo de Presidente do Conselho de Administração (PCA) da Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH). Para assumir a liderança da petrolífera estatal foi nomeado Rudêncio Morais, uma figura ligada ao sector extractivo e energético moçambicano.
A mudança acontece num momento estratégico para Moçambique, numa altura em que o país procura acelerar o aproveitamento dos recursos de gás natural, reforçar o conteúdo local e consolidar os grandes investimentos ligados ao sector petrolífero e energético.
Rudêncio Morais é licenciado em Geologia pela Universidade Eduardo Mondlane (UEM) e mestre em Engenharia Geológica e de Minas pela Universidade de Coimbra, em Portugal. Antes da sua nomeação para PCA da ENH, desempenhava funções como Administrador do Pelouro de Pesquisa e Produção (PPP) dentro da própria empresa estatal.
Com experiência consolidada no sector mineiro e energético, Rudêncio Morais também passou pela Vale Moçambique, onde esteve ligado a actividades técnicas e estratégicas relacionadas com recursos naturais. A sua nomeação é vista por analistas como uma aposta em quadros com experiência técnica para enfrentar os desafios do mercado energético nacional e internacional.
Natural da província da Zambézia, o novo PCA da ENH destaca-se igualmente pela sua vertente académica, cultural e científica. É poeta, escritor, pesquisador e membro activo da associação Yes Mozambique, além de patrono da iniciativa “Passeio Geológico para Katembe”, voltada à promoção da educação geológica e ambiental.
Recentemente, Rudêncio Morais lançou a obra intitulada “Pesquisa de Hidrocarbonetos em Moçambique: Uma visão geral sobre as recentes descobertas e estratégias de desenvolvimento”, publicada pela editora moçambicana Ethale Publishing. O livro aborda o potencial energético do país, os desafios do sector e as estratégias ligadas à exploração sustentável dos hidrocarbonetos.
A nomeação surge numa altura em que Moçambique intensifica debates sobre segurança energética, industrialização baseada no gás natural e expansão dos grandes projectos de GNL na Bacia do Rovuma. O Governo pretende igualmente aumentar a participação nacional nos benefícios gerados pelos recursos naturais, fortalecendo instituições estratégicas como a ENH.
Especialistas acreditam que a experiência técnica de Rudêncio Morais poderá desempenhar um papel importante na consolidação de políticas energéticas mais sustentáveis e competitivas, sobretudo num contexto internacional marcado por volatilidade nos preços da energia e pressão crescente sobre os recursos naturais.
