Adriano Nuvunga cobra justiça no caso Elvino Dias, critica instituições judiciais e promete recorrer da condenação.

Adriano Nuvunga Pressiona Procuradoria por Justiça no Caso Elvino Dias

O director executivo do Centro para a Democracia e Direitos Humanos (CDD), Adriano Nuvunga, voltou a exigir maior celeridade na tramitação do processo relacionado com o assassinato de Elvino Dias. A posição foi manifestada após uma deslocação à Procuradoria da Cidade de Maputo, onde pretendia obter esclarecimentos sobre o andamento do caso.

A audiência prevista para esta semana acabou por ser adiada para os próximos dias devido à indisponibilidade da Procuradora da Cidade. Ainda assim, Nuvunga aproveitou a ocasião para manifestar preocupação com a demora no encaminhamento do processo para julgamento.

Processo Completa Mais de Um Ano Sem Chegar ao Tribunal

Segundo o activista, o caso já se arrasta há cerca de 16 meses sem que tenha sido apreciado por um tribunal, apesar de terem sido entregues às autoridades elementos que considera relevantes para a investigação.

Nuvunga questiona as razões que impedem o avanço do processo para a fase judicial e defende que apenas um julgamento poderá permitir o esclarecimento completo dos factos e a responsabilização dos eventuais envolvidos.

O responsável do CDD recordou que outros processos mediáticos da história recente do país tiveram desenvolvimentos significativos apenas após a sua apreciação em tribunal, defendendo que o mesmo princípio deve ser aplicado neste caso.

Activista Reage à Condenação por Difamação

Durante a sua intervenção, Adriano Nuvunga também comentou a recente decisão judicial que o condena ao pagamento de uma indemnização de 219 milhões de meticais a Albino Forquilha, presidente do partido PODEMOS, num processo relacionado com alegações feitas no contexto das eleições gerais de 2024.

O activista afirmou não concordar com a decisão e garantiu que a sua equipa jurídica irá apresentar recurso junto das instâncias competentes. Segundo Nuvunga, a sentença não altera a sua posição sobre os acontecimentos eleitorais que marcaram o país.

O director do CDD reiterou críticas anteriormente feitas ao processo eleitoral de 2024 e sustentou que continuará a defender aquilo que considera serem princípios de transparência e integridade democrática.

Críticas ao Gabinete Central de Combate à Corrupção

Nuvunga aproveitou igualmente para questionar a actuação do Gabinete Central de Combate à Corrupção (GCCC), alegando que determinadas denúncias relacionadas com alegados actos de corrupção eleitoral não terão sido investigadas com a profundidade necessária.

De acordo com o activista, o arquivamento de alguns processos ocorreu de forma demasiado rápida, levantando dúvidas sobre a abrangência das diligências realizadas pelas autoridades competentes.

As declarações surgem num momento em que continuam os debates públicos sobre a transparência dos processos eleitorais e o papel das instituições de justiça na investigação de denúncias de interesse nacional.

Campanha de Solidariedade Mobiliza Cidadãos

Outro dos temas abordados por Adriano Nuvunga foi a campanha espontânea de solidariedade promovida por vários cidadãos após a divulgação da condenação financeira.

Segundo o activista, centenas de pessoas têm manifestado apoio através de mensagens e pequenas contribuições financeiras. Nuvunga revelou ter recebido doações simbólicas de cidadãos com recursos limitados, gesto que descreveu como uma demonstração de confiança e apoio à sua actividade cívica.

O responsável afirmou sentir-se profundamente sensibilizado com a mobilização popular, destacando que muitas contribuições representam sacrifícios significativos para os respectivos doadores.

“A Luta Continua”, Afirma Nuvunga

No final da sua intervenção, Adriano Nuvunga reafirmou o compromisso de continuar a sua actividade de defesa dos direitos cívicos e da participação democrática em Moçambique.

O activista declarou que pretende prosseguir com as iniciativas ligadas à promoção da justiça, da transparência e da responsabilização das instituições públicas, independentemente dos desafios judiciais que enfrenta.

Com o recurso à sentença já anunciado e a expectativa em torno do processo relacionado com Elvino Dias, os próximos meses poderão trazer novos desenvolvimentos em dois dos casos que têm gerado maior atenção no debate político e judicial moçambicano.

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