Aumento da idade de reforma em Moçambique levanta preocupações sobre emprego juvenil
A recente decisão de aumentar a idade de reforma obrigatória no sector público, de 60 para 65 anos, continua a gerar debate em Moçambique. A medida, aprovada pela Assembleia da República, tem sido alvo de várias críticas, sobretudo no que diz respeito ao impacto no acesso ao emprego por parte dos jovens.
Durante uma análise no programa “A Semana” da MBC, o analista Salomão Moyana alertou para as possíveis consequências sociais da nova política. Segundo ele, a permanência prolongada de funcionários no activo pode dificultar a entrada de novos profissionais no mercado de trabalho.
O comentador explicou que a extensão do tempo de serviço por mais cinco anos — podendo, em algumas situações, atingir os 70 anos — reduz significativamente o número de vagas disponíveis, agravando o desafio de inserção profissional para a juventude moçambicana.
Para além das questões ligadas ao emprego, Moyana também destacou o impacto humano da decisão. Na sua opinião, o prolongamento da carreira pode prejudicar trabalhadores mais velhos, que acabam por adiar o merecido descanso após longos anos de serviço ao Estado.
“Há o risco de muitos profissionais não chegarem a usufruir da reforma, permanecendo em actividade até fases avançadas da vida”, alertou o analista.
Por outro lado, o Governo defende que a revisão do Estatuto Geral dos Funcionários e Agentes do Estado (EGFAE) visa valorizar a experiência dos quadros mais qualificados, além de reduzir a pressão sobre o sistema de segurança social.
No entanto, especialistas e analistas apontam para a necessidade de encontrar um equilíbrio entre a retenção de profissionais experientes e a criação de oportunidades para as novas gerações, evitando assim impactos negativos no desenvolvimento social e económico do país.
