Governo inicia repatriamento de moçambicanos afectados pela xenofobia na África do Sul

Governo mobiliza operação para repatriar moçambicanos afectados por ataques xenófobos na África do Sul

O Governo moçambicano anunciou a implementação de um plano de resposta destinado a apoiar e repatriar cidadãos nacionais afectados pela recente onda de violência xenófoba registada na África do Sul.

A decisão surge após a confirmação da morte de pelo menos nove moçambicanos durante os incidentes ocorridos naquele país, situação que levou as autoridades a activar mecanismos de assistência e protecção aos cidadãos que pretendem regressar a Moçambique.

Falando após a 15.ª Sessão Ordinária do Conselho de Ministros, o porta-voz do Governo, Ussene Isse, explicou que foi criada uma equipa multissectorial para coordenar as acções de apoio aos afectados e garantir o seu regresso em segurança.

Equipa multissectorial destacada para Ressano Garcia

Segundo o Governo, a equipa integra representantes do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), do Serviço Nacional de Migração e do Alto Comissariado de Moçambique na África do Sul.

As equipas foram destacadas para o posto fronteiriço de Ressano Garcia, na província de Maputo, onde estão a assegurar a recepção, assistência e encaminhamento dos cidadãos que regressam ao país.

O objectivo é garantir apoio imediato às famílias afectadas e criar condições para uma reintegração segura dos repatriados.

Mais de 800 moçambicanos afectados pela violência

Dados apresentados pelo Executivo indicam que cerca de 884 moçambicanos foram afectados pela onda de violência xenófoba que se intensificou nos últimos meses na África do Sul.

Entre os afectados, aproximadamente 584 encontram-se acolhidos temporariamente em centros comunitários, enquanto cerca de 300 cidadãos regressaram a Moçambique por meios próprios.

As autoridades acrescentam que 379 moçambicanos já manifestaram oficialmente a intenção de regressar ao país através do Consulado de Moçambique em Durban.

Primeira fase prevê repatriamento de mil cidadãos

O Governo prevê repatriar cerca de mil cidadãos numa primeira fase da operação, contando com apoio logístico disponibilizado pelas autoridades sul-africanas.

Para facilitar o processo, foram colocados à disposição seis autocarros com capacidade para 60 passageiros cada e 12 mini-autocarros destinados ao transporte dos afectados até à fronteira.

As autoridades moçambicanas e sul-africanas continuam a coordenar esforços para garantir a segurança dos cidadãos durante o processo de regresso.

Governo lamenta mortes e promete assistência

Durante a conferência de imprensa, Ussene Isse apresentou condolências às famílias afectadas pelas mortes registadas durante os episódios de violência.

Segundo o governante, cinco moçambicanos foram assassinados, dois perderam a vida ao serem atropelados quando tentavam fugir dos ataques e outros dois morreram num acidente de viação durante o regresso ao país.

O Executivo assegurou ainda que os cidadãos repatriados receberão apoio alimentar através de kits de assistência destinados a responder às necessidades imediatas das famílias afectadas.

O Governo comprometeu-se igualmente a divulgar informações regulares sobre a evolução da situação, com o objectivo de manter a população informada sobre o processo de repatriamento e assistência aos cidadãos afectados.

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