Governo moçambicano garante financiamento para manter tropas ruandesas em Cabo Delgado
O Governo de Moçambique confirmou que irá assegurar os recursos financeiros necessários para garantir a permanência das forças militares ruandesas destacadas na província de Cabo Delgado, onde continuam as operações de combate aos grupos armados responsáveis pela insurgência que afecta a região desde 2017.
A presença das tropas ruandesas tem sido considerada um dos principais factores para a melhoria gradual da segurança em vários distritos do norte do país, sobretudo nas zonas de Palma e Mocímboa da Praia, anteriormente fortemente afectadas pelos ataques terroristas.
Reforço da cooperação militar continua a ser prioridade
As forças do Ruanda foram enviadas para Moçambique em 2021, na sequência de um acordo bilateral entre os dois governos, com o objectivo de apoiar as Forças de Defesa e Segurança moçambicanas no combate à insurgência armada.
Nos últimos meses surgiram dúvidas sobre a continuidade da missão devido à incerteza em torno do financiamento internacional. A União Europeia, que apoiava parcialmente os custos operacionais da missão, ainda não confirmou uma extensão do seu apoio financeiro.
Perante este cenário, o Executivo moçambicano decidiu assumir a responsabilidade de garantir os fundos necessários para assegurar a continuidade das operações militares em Cabo Delgado.
Governo considera presença ruandesa estratégica
Segundo o porta-voz do Governo, Inocêncio Impissa, a permanência das tropas ruandesas continua a ser estratégica para o fortalecimento das capacidades nacionais de defesa e segurança.
O governante explicou que o apoio militar externo permite que Moçambique continue a reforçar a preparação das suas forças através de treinamento, modernização de equipamentos e melhoria das capacidades operacionais.
Além de contribuir para a estabilidade imediata, a cooperação oferece tempo adicional para a reorganização das estruturas de segurança nacionais, criando condições para uma resposta mais eficiente às ameaças existentes no futuro.
Financiamento internacional continua incerto
Recentemente, as autoridades ruandesas manifestaram preocupação com a possibilidade de redução do financiamento internacional destinado à missão em Cabo Delgado. Kigali chegou a alertar que a continuidade da operação poderia ser afectada caso os recursos externos deixassem de existir.
De acordo com informações divulgadas pelo Governo do Ruanda, a missão já recebeu cerca de 20 milhões de euros em apoio europeu. No entanto, as autoridades ruandesas afirmam que os custos reais da operação são significativamente superiores aos montantes recebidos.
Actualmente, mais de seis mil militares ruandeses encontram-se destacados em território moçambicano, participando em operações de patrulhamento, protecção de infra-estruturas estratégicas e combate aos grupos insurgentes.
Segurança abre caminho para investimentos no gás natural
A melhoria das condições de segurança em Cabo Delgado tem sido apontada como um factor determinante para o regresso gradual dos grandes investimentos energéticos na região.
Um dos projectos mais importantes é o empreendimento de gás natural liquefeito liderado pela empresa francesa TotalEnergies, cuja construção foi suspensa após a escalada dos ataques terroristas em 2021.
Com a recuperação da estabilidade em várias áreas estratégicas, a multinacional decidiu levantar o estado de força maior que havia declarado anteriormente, abrindo caminho para a retoma das actividades do projecto.
Especialistas consideram que a continuidade da cooperação militar entre Moçambique e Ruanda poderá desempenhar um papel decisivo na consolidação da segurança regional, na protecção dos investimentos e na criação de condições para o desenvolvimento económico sustentável da província de Cabo Delgado.
